Praga força transferência urgente de doentes
O Hospital São Miguel, localizado em Oliveira de Azeméis, encerrou parcialmente na sequência de uma infestação de baratas. A presença anormal e excessiva dos insetos na unidade foi detetada na segunda-feira, forçando uma resposta imediata.
Na terça-feira, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Entre Douro e Vouga iniciou o encerramento das valências mais críticas. Os serviços mais afetados e com ordem de fecho total foram as alas de internamento de Geriatria e a Pediatria.
A situação, reportada a 12 de agosto de 2026, obrigou à retirada de todos os pacientes destas alas. O presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge Ferreira, confirmou a evacuação dos espaços.
Cinco dos doentes internados foram encaminhados para o Hospital São Sebastião, em Santa Maria da Feira. Os restantes dois pacientes seguiram de urgência para o Hospital Francisco Zagalo, em Ovar.
Versões contraditórias sobre a operação
A administração da ULS justificou o encerramento como uma ação preventiva. A direção alegou tratar-se de uma intervenção inserida nas “ações contínuas de monitorização e manutenção”, optando por um plano estruturado de desinfestação.
Contudo, os profissionais de saúde desmentem categoricamente a versão oficial, garantindo que o processo não foi planeado. A decisão repentina gerou caos na agenda médica.
“Se fosse uma desinfestação programada, não se tinham marcado consultas para estas datas nem os internados eram transferidos assim, de repente”, garantiu à Lusa um dos funcionários do hospital, sob anonimato.
Outro profissional da unidade apontou a degradação da infraestrutura como a principal causa da praga. “O hospital é muito antigo e ninguém investe lá o suficiente. Com canalizações velhas e tantos campos em volta, não dá para evitar estas coisas”, lamentou.
Consultas paralisadas e trabalhos de limpeza
O impacto do fecho fez-se sentir de imediato no atendimento ao público. “Aí parou-se tudo e as consultas foram canceladas”, explicou uma fonte hospitalar, sublinhando que apenas as consultas externas de outras especialidades continuam a operar normalmente.
De momento, as equipas de intervenção técnica estão a atuar diretamente nas redes de saneamento do edifício. Os trabalhos exigem a pulverização química dos espaços e uma higienização ambiental profunda.
A administração da ULS prevê que o hospital retome o funcionamento normal na manhã de quinta-feira. Contudo, a reabertura definitiva dos serviços de Geriatria e Pediatria está pendente da validação técnica das condições de operacionalidade e segurança.
