Nenhuma Falha Mecânica Detetada
O trágico acidente com um autocarro da Carris Metropolitana, que vitimou mortalmente duas mulheres e provocou 20 feridos no terminal de Agualva-Cacém, resultou de uma falha humana.
A conclusão foi revelada a 12 de agosto pela Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), após a investigação interna conduzida pelo operador Viação Alvorada.
A análise técnica afastou categoricamente qualquer anomalia no veículo. O autocarro tinha a inspeção obrigatória em dia e cumpria rigorosamente o plano de manutenção preventiva e corretiva estipulado pelo fabricante.
“Após o acidente, foram novamente realizados ensaios técnicos ao sistema de travagem, inspeções aos respetivos componentes e diagnóstico eletrónico, não tendo sido detetada qualquer falha ou avaria suscetível de comprometer a segurança da circulação”, assegurou a entidade gestora.
Desmentidos os Rumores Sobre a Condutora
O relatório clarificou a dinâmica do desastre, ocorrido a 7 de julho, cruzando averiguações técnicas com os testemunhos recolhidos no local.
Alguns relatos iniciais nos meios de comunicação social sugeriam que a motorista poderia estar de pé a alterar a bandeira de destino do autocarro ou que teria trocado os pedais no momento do arranque, mas a investigação interna contrariou esta tese.
“Foi confirmado que, no momento em que o autocarro iniciou o movimento, a bandeira já se encontrava devidamente alterada e a motorista encontrava-se sentada no seu lugar”, detalhou a TML em comunicado.

A empresa garantiu também que a condutora preenchia todos os requisitos profissionais para o exercício da função. Além das avaliações médicas e psicotécnicas aprovadas, a motorista tinha formação inicial e treino específico para conduzir aquele modelo exato de veículo.
Consequências e Ação Judicial em Curso
Apesar de o autocarro estar em perfeitas condições operacionais, a Viação Alvorada decidiu avançar com um conjunto de medidas adicionais de prevenção. O objetivo é reforçar os procedimentos operacionais junto de todos os seus motoristas.
A nível local, a prioridade manteve-se no apoio às pessoas envolvidas no sinistro. O presidente da Câmara de Sintra, Marco Almeida (PSD), lamentou publicamente a “perda de duas vidas e pelo conjunto de feridos no acidente do interface de Agualva-Cacém”.
Segundo o autarca, os serviços sociais do município acompanharam as famílias das vítimas desde a primeira hora. O executivo assegurou igualmente apoio à motorista, reconhecendo que o episódio “também foi um ato traumático, que lhe deixa marcas”.
O caso transitou agora para a justiça. Uma fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou que o inquérito corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Sintra.
Na recolha de provas, o Ministério Público está a ser coadjuvado pela Brigada de Investigação de Acidentes da Divisão de Trânsito de Lisboa da PSP, que já remeteu o processo à secretaria central do tribunal sintrense.
