O Colapso no Sector das Entregas
O sector das entregas em Portugal está a enfrentar uma grave crise de confiança. No primeiro semestre de 2026, as reclamações relacionadas com Correio Expresso, Last Mile e Entregas Programadas dispararam 98% face ao mesmo período do ano anterior.
Os dados revelados pelo Portal da Queixa ilustram um cenário de rutura na assistência ao consumidor. Enquanto o volume de queixas quase duplicou, a capacidade de resposta das empresas caiu a pique: a taxa de resolução desceu de 45% para apenas 34%.
Na prática, isto significa que, atualmente, apenas cerca de uma em cada três queixas sobre problemas com encomendas é considerada resolvida.
Os Principais Motivos de Insatisfação
O total global de reclamações no Portal da Queixa cresceu de forma ligeira (1,6%) nos primeiros seis meses do ano. Contudo, esta média esconde uma enorme concentração de queixas nos sectores de prestação de serviços, entregas e pós-venda.
A falha ou a má qualidade do serviço continua a ser o motivo principal para a fúria dos consumidores, subindo de 14,9% para 16,9% do total de denúncias.
Logo de seguida, as falhas diretas nas entregas assumem o segundo lugar no pódio das reclamações, representando agora 12% de todos os casos registados na plataforma.
Sectores com o Pior Desempenho
A deterioração do apoio ao cliente estende-se muito além das empresas de logística. Outros sectores registaram quebras drásticas na eficácia de resolução de conflitos.

Os Institutos Públicos sofreram a maior queda, vendo a sua taxa de resolução tombar de 59% para uns parcos 35,4%.
Ainda mais alarmante é o cenário nas sapatarias online e nos serviços de entregas ao domicílio em geral. Ambos os sectores apresentam atualmente taxas de resolução inferiores a 25%.
O Alerta do Portal da Queixa
Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, sublinha que os dados do primeiro semestre sinalizam um agravamento em momentos críticos da experiência do consumidor.
“O aumento de 97,8% das reclamações sobre entregas, acompanhado pela queda da taxa de resolução para 34%, é particularmente preocupante”, alertou o responsável.
Pedro Lourenço deixou ainda um aviso claro ao mercado empresarial. Para evitar uma fuga em massa de clientes e a perda definitiva de confiança, melhorar os tempos de resposta e a eficácia das resoluções tem de passar a ser uma prioridade estratégica inadiável.
