Tragédia Familiar em Algés
Um cenário extremo de violência no seio familiar culminou na morte de uma mulher de 33 anos, em Algés. O próprio filho, um adolescente de 15 anos, confessou ter asfixiado a mãe com um golpe fatal.
O crime ocorreu na passada quarta-feira, na sequência de uma discussão violenta. A família, de nacionalidade brasileira, vivia na referida urbanização há cerca de dois meses.
A vítima sofreu uma interação física agressiva e fatal através de um “mata-leão”, uma técnica de asfixia que comprime o pescoço com o braço. O corpo da mulher permaneceu no interior da habitação até as autoridades serem chamadas ao local.
Pedidos de Ajuda e Gravações de Áudio
A Polícia Judiciária (PJ) emitiu um comunicado esta sexta-feira (14 de agosto de 2026) a clarificar o contexto do crime. A motivação estará diretamente associada a alegados maus-tratos físicos e psicológicos exercidos pela mãe sobre o jovem e a sua irmã de quatro anos.
O adolescente já se encontrava sinalizado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ). Para escapar aos abusos, o rapaz terá mesmo chegado a pedir a sua própria institucionalização.
Segundo a investigação, o jovem denunciou as agressões da progenitora contra a irmã mais nova e as constantes ameaças de morte. Terá inclusive entregado à comissão gravações de áudio que comprovavam os abusos.
Pais Marcados pela Violência
O histórico de violência familiar não se limitava à mãe. O pai dos dois menores cumpre atualmente pena de prisão por violência doméstica, precisamente por agressões à mulher agora falecida.
Face ao colapso do ambiente familiar, familiares paternos tinham solicitado que as duas crianças fossem viver para o Brasil. No entanto, o pedido foi liminarmente recusado, tal como a pretendida institucionalização do jovem.
O Destino do Adolescente
À luz da lei portuguesa, por ter apenas 15 anos, o adolescente é considerado criminalmente inimputável.
Após a sua identificação pelas autoridades, a PJ confirmou a absoluta impossibilidade de entregar o rapaz aos cuidados de um familiar direto. O jovem foi encaminhado para um centro educativo na Área Metropolitana de Lisboa, onde passou a noite.
Nesta sexta-feira, o adolescente é presente às autoridades judiciárias no Tribunal de Família e Menores de Cascais.
