Choque nas Bombas: Combustíveis Disparam
Prepare a carteira. Abastecer o carro vai ficar significativamente mais caro a partir da próxima semana.
A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) estima uma subida de oito cêntimos no gasóleo e de 8,5 cêntimos na gasolina. Já o Automóvel Club de Portugal (ACP) projeta um cenário ainda mais severo: aumentos de 10 e nove cêntimos, respetivamente.
Tendo em conta os dados recolhidos na quinta-feira pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o preço médio do gasóleo simples deverá furar a barreira dos dois euros. Os valores esperados situam-se entre os 2,047 e os 2,067 euros por litro. A gasolina simples 95 não ficará muito atrás, devendo atingir entre 1,970 e 1,975 euros por litro.
O Peso da Geopolítica
O agravamento do mercado interno é um reflexo direto do caos internacional. A escalada de tensão no Médio Oriente e o conflito que envolve o Irão mantêm o setor energético sob forte pressão.
O maior foco de instabilidade é a ameaça de fecho do estreito de Ormuz. Trata-se de uma rota marítima crucial por onde circulam 20% de todo o comércio mundial de petróleo e gás natural.
Como consequência, o petróleo Brent, que serve de referência à Europa, registou uma subida de 1,50%, fixando-se nos 88,34 dólares por barril. Nos Estados Unidos, o crude WTI avançou 2,02% para 82,89 dólares, após Washington ter anunciado a aplicação de medidas económicas sem precedentes contra o regime iraniano.
ERSE Iliba Gasolineiras Nacionais
Apesar da escalada ininterrupta, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) garante que as gasolineiras portuguesas não estão a lucrar de forma ilícita com a crise.
Numa análise solicitada pela ministra do Ambiente e Energia, divulgada na noite de quinta-feira, o regulador concluiu que não há aproveitamento abusivo por parte dos operadores. O documento sublinha que a discrepância de preços face a Espanha resulta quase exclusivamente do peso da fiscalidade em Portugal.
A ERSE rejeita, por isso, qualquer fundamento que justifique a fixação de margens máximas de comercialização. A recomendação feita ao Governo limita-se a um pedido de maior transparência e reforço da supervisão do mercado, descartando a intervenção administrativa direta nos preços.
ISP: O Travão de Emergência
Os valores finais que vai encontrar nas bombas podem ainda sofrer ligeiros ajustamentos. A média definitiva depende da evolução de fecho das cotações internacionais do petróleo e das políticas comerciais de cada marca e posto de abastecimento.
Resta perceber se o Governo irá atuar pela via fiscal. O Executivo mantém o compromisso de aplicar uma redução extraordinária e temporária no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) sempre que se verifique uma subida superior a 10 cêntimos.
Caso as previsões mais pessimistas do ACP se concretizem, esse patamar crítico será atingido no gasóleo, obrigando o Estado a intervir para mitigar o impacto no orçamento das famílias e das empresas.
