A Falsa Sensação de Estabilidade
Muitos consumidores assumem que a mensalidade do banco se mantém inalterável caso não solicitem capital adicional. No entanto, é fundamental distinguir a mera prestação do encargo mensal total de um empréstimo.
“As pessoas acham que se não pediram mais dinheiro, a prestação fica sempre igual. Mas não é bem assim”, alerta Guilherme Henriques, diretor de Produto da Maxfinance Portugal.
O especialista clarifica que fatores associados, como seguros de vida e multirriscos, têm um peso significativo no valor a pagar. “O mais importante é, na altura da decisão, estar bem informado”, conclui.
O Papel da Euribor e do Spread
A mecânica dos contratos com taxa variável dita que os juros resultam da soma da Euribor com o spread cobrado pelo banco. A Euribor, principal taxa de referência nos empréstimos na zona euro, sofre revisões periódicas.
Estas revisões ocorrem, regra geral, a prazos de três, seis ou doze meses. Se esta taxa de referência subir na data da atualização, a prestação agrava-se imediatamente, mesmo sem novos pedidos de crédito.
A única forma de blindar esta oscilação é optar pela taxa fixa, que mantém o valor, ou pela taxa mista, que garante uma primeira fase sem flutuações, seguida de um período variável.
O Perigo de Cancelar Produtos Associados
Os bancos oferecem frequentemente reduções no spread em troca da subscrição de produtos facultativos. Seguros, cartões de crédito ou cartões de débito são moedas de troca habituais neste processo.
Contudo, caso o cliente cancele ou deixe de pagar estes produtos, a instituição financeira pode agravar o spread, desde que essa consequência esteja prevista no contrato. É aqui que a Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE) assume relevância.
A FINE tem a obrigatoriedade de identificar todos os produtos associados ao crédito e detalhar o impacto exato que a sua anulação terá no custo do empréstimo.

Os Indicadores Que Realmente Importam
Comparar propostas bancárias olhando apenas para o valor da prestação mensal é um erro. A verdadeira métrica de custo encontra-se na TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) e no MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor).
A TAEG engloba os juros, comissões, impostos e outros encargos reais do contrato. Já o MTIC revela o valor absoluto e total que será pago até ao final do empréstimo.
“Existem alguns fatores críticos num processo de crédito. Têm a ver com o montante, com o prazo, mas também com a taxa de esforço e com aquilo que nós conseguimos pagar”, sublinha Guilherme Henriques.
O Impacto do Prazo no Custo Final
Dilatar o prazo de pagamento alivia a prestação no imediato, mas não significa que o crédito seja mais barato. O horizonte temporal de um empréstimo obriga a uma análise de longo prazo.
“O mais importante, no fundo, não é quanto nós vamos pagar no próximo mês, porque num processo de crédito estamos a falar sempre de períodos grandes, de 15, 20, 25 anos”, alerta o responsável.
Para mitigar riscos, é imperativo testar o orçamento familiar face a cenários de subida da prestação ou quebra de rendimentos. “Num processo de crédito são vários anos e nestes vários anos a nossa vida muda”, afirma.
Conservar uma margem para imprevistos é o princípio de base defendido no “Minuto Consumidor”, um projeto presente no Expresso Online e na antena da SIC Notícias, que conta com o apoio da Escolha do Consumidor.
