Um Império Elétrico Sob Escrutínio
A EDP acumula cerca de 1,4 mil milhões de euros em contingências fiscais espalhadas por vários continentes. Estes processos judiciais e administrativos decorrem em mercados fundamentais para a elétrica, incluindo Portugal, Brasil e Estados Unidos.
O Megaprocesso das Barragens
No centro da polémica em território nacional está uma pesada liquidação de 335,2 milhões de euros. O montante refere-se à controversa venda, em 2020, da concessão de exploração de seis barragens à Movhera, um consórcio ligado à Engie.
A empresa, sob a liderança de Miguel Stilwell d’Andrade, confirmou a receção de um relatório de inspeção da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) no final de abril. O documento foca-se na venda deste portefólio hídrico e propõe correções diretas em sede de IRC e imposto do selo.
Lucros Milionários e Recusa de Pagamento
A posição da EDP mantém-se inflexível. A empresa rejeita frontalmente o entendimento do Fisco e já garantiu que não vai pagar qualquer liquidação até que exista uma decisão judicial definitiva a transitar em julgado.

Esta batalha com a Autoridade Tributária surge numa fase de clara robustez financeira. Apenas na primeira metade de 2026, a elétrica registou um lucro líquido de 732 milhões de euros.
O Relógio Corre na Terra de Miranda
A recusa da EDP em liquidar os impostos de imediato está a gerar forte indignação local. O Movimento Cultural da Terra de Miranda critica duramente a postura da empresa e aponta o dedo à sua estratégia legal.
Para a organização civil, este braço de ferro judicial não passa de uma manobra desenhada para ganhar tempo. O movimento deixa um alerta crítico: a dívida ao Estado referente a este negócio está a apenas dois meses de caducar.
