Paz Estratégica na Família Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência do Brasil, e a sua madrasta, Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado, gravaram um vídeo de campanha em conjunto. O momento dita o fim de meses de desavenças públicas entre os dois políticos.
À saída das gravações em Brasília, a 11 de agosto, a ex-primeira-dama garantiu à imprensa que as diferenças foram ultrapassadas. Michelle afirmou que ambos colocaram “as desavenças de lado” e uniram esforços “em prol de algo muito maior para a nação, graças a Deus”.
O Fim de um Corte de Relações
A tensão familiar tornou-se pública no passado mês de junho. Na altura, Michelle publicou um vídeo a relatar ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro.
A candidata de 44 anos, que concorre ao Senado pelo Distrito Federal através do Partido Liberal (PL), revelou então que os dois não se falavam desde o final de 2025.
O primeiro sinal de trégua surgiu a 24 de julho. O filho mais velho de Jair Bolsonaro pediu desculpa à madrasta através das redes sociais, um gesto que foi aceite pela própria poucas horas depois.
Apesar da aproximação, Michelle faltou à oficialização da candidatura de Flávio pelo PL. A ausência foi justificada com a necessidade de ficar em casa a cuidar da saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra a cumprir prisão domiciliária na capital brasileira.

O Peso do Eleitorado Feminino
A reconciliação acontece num momento crítico. As sondagens de intenção de voto mostram que Flávio Bolsonaro enfrenta uma forte rejeição entre o eleitorado feminino.
Para tentar colmatar esta lacuna, o candidato tentou atrair partidos do centro, como o Podemos e os Progressistas. O objetivo era garantir uma mulher como candidata a vice-presidente, mas as negociações revelaram-se infrutíferas.
Sem uma figura feminina forte na chapa presidencial, a imagem de Michelle Bolsonaro volta a ser um trunfo indispensável para a direita brasileira.
O Calendário Aperta
A corrida eleitoral no Brasil arranca oficialmente a 16 de agosto. A partir desta data, passam a ser legalmente permitidos os comícios, as ações de rua, a distribuição de panfletos e a propaganda na Internet.
Já o tempo de antena gratuito nas rádios e televisões tem início marcado para 28 de agosto. Este período crucial de propaganda estende-se até 1 de outubro, exatamente três dias antes da ida às urnas para a primeira volta.
