O Colapso no Santiago Bernabéu
O fim da era de José Mourinho no Real Madrid, em 2013, foi marcado por um ambiente de tensão extrema. No novo documentário “MOURINHO”, da Netflix, o treinador português aborda de forma crua o desgaste definitivo da sua relação com o plantel merengue.
“Acho que os jogadores estavam cansados de mim como líder e eu deles também”, confessa o técnico, deixando claro que o sentimento de saturação era mútuo e ultrapassava as portas do balneário.
“Não eram apenas eles que estavam fartos de mim, eu estava farto dos jogadores e da imprensa. Queria sair. Sentia que o meu ciclo tinha chegado ao fim”, sublinha Mourinho.
A “Caça à Toupeira”
Semanas antes da saída oficial, um episódio específico incendiou o ambiente. Informações confidenciais partilhadas por Mourinho com o plantel chegaram rapidamente à imprensa, desencadeando a fúria absoluta do treinador.
Iker Casillas, antigo capitão e guarda-redes, recorda o momento da explosão. “Ligou para todos nós, disse de tudo, incluindo que a culpa era toda nossa”, revela. “Penso que chutou uma garrafa e bateu com a porta do escritório. Quem era o informante? Encontrem-no.”
A identidade do informante continua a ser um mistério para os ex-jogadores. Marcelo confirma o desconhecimento do grupo: “Até hoje ainda não sabemos quem foi o desgraçado. Ele ficou absolutamente furioso, é assim que ele é.”
No entanto, a equipa técnica liderada pelo setubalense tinha um alvo. Rui Faria, histórico adjunto de Mourinho, oferece uma perspetiva diferente: “Sabíamos quem era, tínhamos quase a certeza. As respostas estavam nos jornais. Não dá para provar, mas temos quase a certeza.”

O Banco de Casillas e o Inferno no Balneário
A deterioração das relações acelerou quando Mourinho tomou a decisão polémica de relegar Casillas para o banco de suplentes. Sami Khedira, médio alemão de 39 anos que foi treinado pelo português em Madrid e agora integra a sua nova equipa técnica, testemunhou o colapso.
“O Iker era uma lenda do clube e amado pelos adeptos. Depois de o meter no banco, já não se falavam e [Mourinho] ainda vinha falar mal dele para a imprensa”, explica Khedira.
A partir desse momento, o ambiente tornou-se insustentável. Segundo o alemão, a rutura afetou a espinha dorsal de todo o projeto desportivo.
“O balneário tornou-se um inferno. O relacionamento com muitos jogadores foi-se deteriorando, incluindo o Cristiano Ronaldo e vários dos espanhóis. Eles eram muito importantes num balneário que se tornou insuportável”, relata Khedira.
