O impacto da seca no Danúbio
A Nuclearelectrica, empresa pública romena de energia nuclear, poderá desligar o seu último reator operacional no próximo dia 13 de agosto devido à descida contínua do nível do rio Danúbio, informou a companhia na terça-feira, apesar dos esforços realizados para desviar água de refrigeração para a central.
Os níveis historicamente baixos do rio já forçaram a Nuclearelectrica a parar um reator no final de julho.
A empresa conta com dois reatores em Cernavoda, nas margens do Danúbio, que geram um quinto da produção de eletricidade do país.
Medidas sem precedentes para salvar a central
A Roménia adotou medidas sem precedentes para manter em funcionamento o único reator operacional do país.
Estas ações incluem a implosão de uma obstrução rochosa subaquática, a dragagem do leito do rio e o afundamento de barcaças cheias de rochas no Danúbio para redirecionar o caudal para as imediações da central elétrica.
“A possibilidade de uma paragem controlada (do segundo reator) baseia-se na monitorização das previsões meteorológicas para o próximo período, na descida dos níveis do Danúbio e nos parâmetros de funcionamento”, assinalou a Nuclearelectrica.
Estado de emergência energética
O caudal do Danúbio, o segundo rio mais longo da Europa, caiu na terça-feira para um novo mínimo histórico de 1.370 metros cúbicos de água por segundo no seu ponto de entrada na Roménia, explicou um dirigente da agência estatal de gestão de águas, que acrescentou que o encerramento era “inevitável”.

A Roménia já declarou o estado de emergência energética para todo o mês de agosto e apelou a empresas e famílias que reduzam voluntariamente o consumo durante as horas de ponta da tarde.
O Governo preparou um sistema para cortar o fornecimento de eletricidade aos consumidores industriais por etapas e com aviso prévio, caso seja necessário.
Consequências a nível europeu
A montante, a vizinha Hungria começou, na segunda-feira, a reativar uma turbina na central nuclear de Paks após uma subida dos níveis de água do Danúbio.
No entanto, as chuvas no curso superior não farão a diferença para a Roménia, o último país que o rio atravessa antes de desaguar no Mar Negro, indicou a agência de gestão de águas.
A Europa foi assolada este verão por um calor que bateu recordes e por incêndios florestais destrutivos, o que causou estragos na produção de energia, no transporte marítimo e nos sistemas de saúde pública.
