O fosso entre dimensão e impacto económico
Portugal acolhe atualmente 17 mil empresas de capital estrangeiro. Embora representem uns escassos 3% do tecido empresarial português, o seu impacto no motor da economia nacional é dominante.
A conclusão é da Informa D&B, cujos dados revelam que mais de metade deste universo (9.721 sociedades) foi estabelecido na última década.
A força destas empresas resulta da sua maior dimensão estrutural e de um perfil desenhado para o mercado global. Em conjunto, geram um volume de negócios de 173 mil milhões de euros, o que equivale a 31% da faturação total no país.
O motor do comércio internacional e do emprego
No capítulo das exportações, a dependência do capital internacional é clara. Estas organizações vendem 52 mil milhões de euros para o exterior, suportando 46% de todas as exportações portuguesas.
Os dados mostram que 28% das empresas estrangeiras em Portugal têm atividade exportadora. No polo oposto, apenas 8% das empresas de capital nacional conseguem exportar.
Este bloco empresarial emprega 808 mil trabalhadores, absorvendo 22% do emprego no país. São ainda responsáveis por gerar 44 mil milhões de euros em Valor Acrescentado Bruto (VAB), ou seja, 15% do total nacional.
Espanha domina a presença, EUA lideram os salários
Espanha lidera a origem dos investimentos de forma isolada. Os acionistas espanhóis controlam 3.684 empresas, representando 21% da quota de capital internacional em solo português.

Quando somadas, as empresas de origem espanhola e francesa concentram a maior fatia de postos de trabalho e faturação, garantindo 8,1% do emprego e 11,2% do volume de negócios total.
No entanto, a nacionalidade do capital traduz-se também em diferenças acentuadas nas remunerações.
Eficiência e o prémio salarial
As organizações estrangeiras distinguem-se por operarem num patamar mais tecnológico. A Informa D&B sublinha que 40% destas empresas apresentam níveis de produtividade elevados ou médio-altos, uma marca que apenas 31% das empresas nacionais conseguem atingir.
Esta capacidade de gerar mais riqueza reflete-se diretamente no vencimento dos trabalhadores. As empresas estrangeiras gastam, em média, 33 mil euros anuais por empregado com despesas de pessoal — um prémio de 10 mil euros face às empresas de capital português.
O fosso é máximo nas multinacionais de capital norte-americano, que se destacam no topo da tabela ao registarem gastos médios de 50 mil euros anuais por colaborador.
