Foram necessários quatro anos e muita incerteza para concluir “Lion”. A nova minissérie documental de quatro episódios, produzida pela National Geographic e pela BBC Studios, acompanha a improvável jornada de uma cria de leão até ao domínio do seu território.
Com produção executiva de Jon Favreau, realizador do filme “O Rei Leão” de 2019, o projeto mergulha na realidade brutal da savana. Durante muito tempo, a equipa não sabia sequer se teria uma história concreta para contar no final das filmagens.
“Estes quatro anos em que trabalhámos juntos foram muito angustiantes, porque não sabíamos que leões iriam sobreviver”, confessou Favreau. O objetivo sempre foi captar a realidade sem recorrer a manipulações visuais, usando apenas a edição e a banda sonora para construir a narrativa.
Uma Aposta Contra as Probabilidades
Quando o produtor da BBC, Mike Gunton, e Jon Favreau iniciaram o projeto, a ambição era seguir um grupo com dezenas de leões. Tratava-se de um plano arriscado, uma vez que a taxa de sobrevivência das crias é de apenas cerca de 20% até chegarem à idade adulta.
“Não podia estar menos preparado para isto”, admitiu Favreau. O realizador sublinhou a volatilidade de filmar vida selvagem, onde o controlo é quase nulo. A equipa identificou inicialmente várias leoas matriarcas, esperando documentar uma luta pelo poder entre elas.
No entanto, a natureza ditou um rumo diferente. Muitas dessas fêmeas não sobreviveram, obrigando os cineastas a redirecionar a sua atenção.
A Ascensão Improvável de Kio
O foco virou-se para o nascimento de Kio e para a sua mãe, Summer. Sendo uma leoa mais velha, os produtores sabiam que esta seria provavelmente a sua última ninhada, o que conferiu uma urgência natural ao documentário.
A relação entre Summer e a cria revelou-se extraordinária. Kio era mais pequeno do que os restantes leões, o que diminuía ainda mais as suas já escassas hipóteses de sobrevivência. Contra todas as expetativas, a sua ascensão na hierarquia tornou-se o eixo central da minissérie.
“É uma história que parece cinema, que parece ter uma narrativa”, destacou Mike Gunton. O produtor garantiu que nada na evolução de Kio foi forçado, tratando-se de uma narrativa puramente verdadeira.

Drones Silenciosos e Banda Sonora de Hans Zimmer
A cinematografia é um dos grandes pilares de “Lion”. A equipa utilizou equipamentos de câmara estabilizados, drones silenciosos e gruas para captar imagens aéreas detalhadas e grandes planos extremos das alcateias e das presas.
Estas novas tecnologias permitiram ângulos muito baixos, colocando a lente à altura dos olhos dos predadores. “Permitiram-nos filmar com muito mais impacto e envolvimento emocional”, explicou Favreau.
Para não perturbar os animais, os operadores aproximavam-se sempre dentro de veículos. Gunton revelou que os leões encaram os carros como “estranhas árvores móveis”, ignorando-os por completo, a menos que alguém cometa o erro de abrir uma porta.
A única grande adição externa à realidade nua e crua das imagens foi a vertente sonora, com a música original a ser assinada pelo compositor oscarizado Hans Zimmer.
Inspirar Através do Naturalismo
Apresentada como um dos grandes destaques da convenção bienal D23 em Anaheim, na Califórnia, a minissérie procura mostrar a natureza no seu estado mais analógico.
Favreau espera que a jornada por vezes perturbadora de Kio una os espectadores. O objetivo final é mostrar às novas gerações que “existe algo de maravilhoso no mundo natural que vale a pena preservar, explorar e compreender”.
“Lion” tem estreia marcada primeiro na plataforma de streaming Disney+, chegando depois à emissão do canal National Geographic Portugal no dia 24 de agosto.
