Um sismo de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na segunda-feira, provocando pelo menos 224 mortos e centenas de feridos. As equipas locais trabalharam durante a noite numa corrida contra o tempo para tentar encontrar sobreviventes presos debaixo dos escombros.
O Presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, confirmou a gravidade da situação em Cali, uma das cidades mais fustigadas pelo desastre. As autoridades locais estimam que 188 pessoas continuem desaparecidas nesta zona.
O Epicentro e a Distribuição das Vítimas
Os dados provisórios apontam o oeste e o centro do país como as áreas mais devastadas pelo forte abalo. Só na cidade de Cali, o sismo vitimou pelo menos 95 pessoas, enquanto a região de Risaralda contabiliza 90 mortos, segundo revelou o secretário regional de Governo, Israel Londoño.
A contagem trágica estende-se a outras áreas. Em Valle del Cauca, as equipas no terreno registaram 35 mortos, e na administração de Caldas foram contabilizadas outras seis vítimas mortais.
No departamento de Chocó, onde se situou o epicentro, o balanço indica a morte de 14 pessoas. A governadora local, Diana Carolina Córdoba-Nuri, alertou para as extremas dificuldades na região, considerada uma das mais pobres do país, o que dificulta o apuramento total dos danos e expõe as desigualdades estruturais.
Polémica na Recusa de Ajuda Internacional
A gestão da catástrofe está a gerar forte controvérsia, após o Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, revelar que o Governo colombiano recusou o envio de equipas internacionais de salvamento. O executivo de Bogotá solicitou apenas ajuda financeira e materiais médicos.

“Informaram-nos que as suas equipas de resgate, médicos e outros profissionais de emergência estão mobilizados e a atuar na situação, pelo que, neste momento, não necessitam de apoio de pessoal”, escreveu Nayib Bukele nas redes sociais.
A decisão está a motivar críticas no terreno. Susana Barradas, portuguesa a residir em Bogotá, relatou a escassez de operacionais para remover os escombros nas zonas afetadas. “Este novo Governo não pede ajuda de corpos especializados em resgates. Acabou de pedir ajuda ao Governo de Bukele para materiais de primeiros socorros, medicamentos, entre outros, mas não para operações de salvamento”, afirmou.
Alerta Vermelho e Resposta de Portugal
Devido à dimensão da destruição, as autoridades colombianas mantêm o alerta vermelho em Pereira, Cali, Quibdó, Manizales e Armenia. Até ao momento, foi confirmado o colapso de pelo menos 165 edifícios nestas cidades.
Em Portugal, o Governo já anunciou a mobilização de 100 mil euros em ajuda financeira para apoiar o país. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, confirmou ainda ter estado em contacto com o seu homólogo colombiano, Omar Bula.
Durante a conversa, Rangel aconselhou o executivo da Colômbia a acionar de imediato os mecanismos europeus de ajuda de emergência. Este passo permitiria a mobilização rápida de meios vitais, como equipas internacionais de resgate e apoio especializado de medicina legal.
