Phoebe Gates, filha do magnata norte-americano Bill Gates, encontra-se no centro de um grave escândalo financeiro e tecnológico. A sua plataforma de compras online, a Phia, está a ser acusada de recorrer a uma prática ilícita conhecida como “cookie stuffing”. Esta manobra é classificada como fraude eletrónica nos Estados Unidos e pode resultar em penas severas de até 20 anos de cadeia.
A jovem empresária cofundou a Phia em 2023, ao lado de Sophia Kianni. Num dos seus podcasts, Gates tinha expressado o desejo público de provar que conseguiria alcançar o sucesso empresarial sem a influência ou ajuda do pai.
No entanto, uma investigação conduzida pela Bloomberg revelou que ambas as fundadoras tinham conhecimento da prática controversa desde dezembro de 2025.
O esquema por trás da extensão Phia
A Phia atua como uma extensão de browser e aplicação concebida para encontrar códigos de desconto durante o processo de pagamento em lojas virtuais. O modelo de negócio assenta na cobrança de uma comissão sempre que o serviço intervém ativamente na compra de um utilizador.
O que é o “cookie stuffing”?
Esta técnica digital faz com que um sistema informático assuma o mérito — e a consequente comissão financeira — de uma venda online na qual não teve qualquer participação real. Na prática, funciona como se um assistente de loja exigisse uma percentagem por um cliente que nunca chegou a atender.
As mensagens internas analisadas durante a investigação apontam para uma dependência estrutural desta prática. Segundo os dados apurados, em junho de 2026, estima-se que cerca de 51% do valor das vendas atribuídas à Phia teve origem nesta técnica fraudulenta.

Medidas de contenção e o peso da justiça
Perante a dimensão das acusações, a empresa de Phoebe Gates garantiu já ter avançado com um plano de contingência. A Phia assegura ter tomado as seguintes medidas corretivas:
- Eliminação imediata das funções problemáticas desde o dia 7 de julho.
- Auditoria e revisão de todas as transações registadas na plataforma.
- Devolução dos pagamentos recebidos indevidamente às marcas lesadas pelas falsas atribuições.
- Contratação de um diretor de conformidade normativa para supervisionar as operações.
Especialistas em direito corporativo norte-americano sublinham que este tipo de conduta se enquadra na categoria de fraude eletrónica federal. Para além da pena máxima de 20 anos de prisão, a lei dos Estados Unidos prevê multas pesadas e a obrigatoriedade de restituição económica integral dos valores desviados.
Até ao momento, não foram formalizadas acusações criminais diretas contra Gates ou Kianni por este caso específico. Contudo, o histórico judicial mostra que condenações anteriores por “cookie stuffing” resultaram em penas efetivas entre os cinco e os quinze meses de prisão, acompanhadas de coimas até 25.000 dólares.
Um procurador federal norte-americano já alertou num comunicado oficial que este tipo de fraude digital acaba sempre por prejudicar os consumidores, uma vez que as marcas afetadas transferem os custos destas comissões falsas para o preço final dos produtos.
