O erro de perfuração que fez desaparecer um lago inteiro no Louisiana em três horas

Local do desastre do Lago Peigneur no Louisiana após o colapso da mina de sal.

Três horas. Foi o tempo exato de que a terra precisou para engolir um lago inteiro.

A 20 de novembro de 1980, no estado norte-americano do Louisiana, uma equipa de perfuração petrolífera transformou o calmo Lago Peigneur num dos acidentes industriais mais surreais da história dos Estados Unidos.

Um erro de cálculo a 374 metros de profundidade

A empresa petrolífera Texaco detinha os direitos para procurar petróleo sob as águas pouco profundas do Lago Peigneur. A operação foi subcontratada à empresa Wilson Brothers, que instalou uma plataforma de perfuração flutuante à superfície.

O que a equipa não acautelou na perfeição foi a geografia subterrânea. Exatamente por baixo do lago operava a mina de sal de Jefferson Island, explorada pela Diamond Crystal Salt Company desde 1919.

A mina tinha vários níveis que desciam até aos 460 metros de profundidade. O desastre começou quando a broca de perfuração, com 36 centímetros de diâmetro, perfurou o teto da mina e ficou encravada a 374 metros de profundidade.

O alerta nos túneis de sal

A primeira pista do desastre surgiu no subsolo. Junius Gaddison, um eletricista que inspecionava cabos de energia na mina, ouviu um som intenso de batidas metálicas.

Segundos depois, Gaddison deparou-se com uma corrente de lama com mais de 60 centímetros de altura a avançar rapidamente pelas galerias de sal. O eletricista soou imediatamente o alarme, desencadeando a evacuação do complexo subterrâneo.

Na superfície, os trabalhadores da plataforma ouviram estalidos secos a ecoar da estrutura metálica. O equipamento começou a inclinar-se subitamente e a equipa correu para a margem, escapando por uma margem de segurança de poucos minutos.

Um vórtice que sugou 26 hectares

A água doce do lago começou a invadir a mina a alta pressão, dissolvendo rapidamente os pilares de sal que suportavam os túneis. O resultado foi um colapso em cadeia de proporções catastróficas.

Formou-se um gigantesco redemoinho com cerca de 400 metros de largura no centro do lago. O turbilhão sugou a plataforma de perfuração petrolífera, 11 barcaças carregadas, um rebocador e dezenas de árvores maduras.

O erro de perfuração que fez desaparecer um lago inteiro no Louisiana em três horas

A força de sucção arrastou consigo 26 hectares de terreno contíguo de Jefferson Island. Em menos de três horas, os cerca de 13 milhões de metros cúbicos de água do lago (o equivalente a 5300 piscinas olímpicas) desapareceram por completo no buraco da mina.

A maior queda de água do Louisiana

A enorme pressão do ar deslocado dentro da mina pelas toneladas de água a cair gerou um géiser explosivo. Uma coluna de água, lama e sal foi cuspida a 120 metros de altura através do poço principal da mina.

O esvaziamento brutal do lago causou ainda um fenómeno invulgar no Canal Delcambre. Este canal escoava a água doce do lago para o Golfo do México, mas a ausência de água inverteu o fluxo natural.

A água salgada do oceano precipitou-se canal acima em direção à cratera, criando temporariamente uma queda de água com 50 metros de altura. O fenómeno arrastou ainda mais barcaças do canal para o fundo do poço.

O destino final do Lago Peigneur

Apesar da violência da destruição, o acidente não provocou uma única morte humana. Os 55 mineiros que se encontravam no subsolo escaparam ilesos graças à disciplina na evacuação e ao alerta rápido.

O caso nunca chegou efetivamente a julgamento público. A Diamond Crystal recebeu 45 milhões de dólares numa indemnização negociada com a Texaco e abandonou o negócio do sal. Nove das onze barcaças engolidas voltaram a flutuar à superfície alguns dias mais tarde, empurradas pela estabilização da pressão e da água.

O Lago Peigneur sofreu uma mutação permanente. Onde antes existia um lago de água doce com cerca de três metros de profundidade, existe hoje uma massa de água salobra que atinge os 60 metros nos locais de fratura.

A biologia do local adaptou-se, substituindo os peixes de rio por espécies típicas de zonas costeiras. Hoje, as cavernas salinas em redor do lago servem para armazenar gás natural de uso industrial.

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