Brasil adota ‘estratégia Gripen’ para garantir soberania em supercomputadores de IA

Equipamentos de alta tecnologia em um data center.

O governo brasileiro está redesenhando sua estratégia para a infraestrutura de inteligência artificial. Inspirado no bem-sucedido “modelo Gripen” — que envolve transferência tecnológica na aquisição de caças — o país agora busca parcerias tanto com os Estados Unidos quanto com a China para o fornecimento de supercomputadores.

A mudança de rota foi consolidada após uma delegação brasileira participar de uma conferência de IA em Xangai. Segundo a ministra Luciana Santos, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial foi ajustado para evitar a dependência exclusiva de um único fornecedor, hoje centralizada na gigante norte-americana Nvidia.

O “Modelo Gripen” de Tecnologia

A estratégia não se resume à compra de hardware. O objetivo é estabelecer editais que exijam das empresas vencedoras a transferência de conhecimento. Isso inclui a otimização de sistemas, softwares, capacitação de pessoal e a formação de especialistas capazes de desenhar chips e semicondutores futuramente.

Helton Simões Gomes detalha a abordagem: “Eles não vão só comprar a máquina. Querem que as empresas transfiram tecnologia, a forma como os sistemas rodam e o treinamento de pessoas. Todo o stack de um supercomputador de IA pode ser transferido para o Brasil.”

Diversificação Estratégica

O governo federal destinou R$ 1 bilhão para a aquisição de um supercomputador e firmou uma parceria de R$ 1,2 bilhão para capacitação e treinamento de modelos. A primeira máquina deve contar com chips Nvidia, enquanto a segunda, resultado da parceria com as chinesas Huawei e iFlytek, deverá utilizar o sistema Atlas SuperPod.

Diogo Cortiz destaca que, embora o sistema Atlas ainda não alcance a potência máxima das soluções da Nvidia, a tecnologia chinesa apresenta viabilidade técnica e rapidez no desenvolvimento. “O Brasil faz um movimento correto ao descentralizar a dependência. Não estamos eliminando-a, mas diversificando o risco estratégico”, afirma o especialista.

Resiliência a Longo Prazo

A visão do governo é que, ao operar com arquiteturas de diferentes polos tecnológicos, o Brasil ganha “vacina” contra sanções geopolíticas e gargalos de mercado. A ideia central não é competir diretamente com as potências globais, mas desenvolver infraestrutura nacional que permita a criação de modelos de IA customizados e localizados.

A estratégia coloca o Brasil em uma posição de equilíbrio, buscando sustentabilidade tecnológica em um mercado cada vez mais marcado por tensões comerciais e restrições de exportação.

Jardim Principes