Gestão no Limite: Hospitais Estão a Ser Dirigidos por Administrações com Mandatos Caducados

Fachada de um hospital público português gerido por uma administração em final de mandato

A Paralisia na Liderança Hospitalar

Várias Unidades Locais de Saúde (ULS) em Portugal continuam a operar sob a liderança de conselhos de administração com mandatos caducados. A situação afeta tanto grandes hospitais como centros de saúde e prolonga-se, nalguns casos, há mais de um ano e meio.

O alerta partiu de Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH). Segundo o responsável, a indefinição na renovação ou substituição de lideranças está a travar o avanço de projetos fundamentais e a prejudicar o desenvolvimento das instituições.

O Medo de Decidir no Escuro

O planeamento estratégico de uma unidade de saúde exige um horizonte temporal estável, habitualmente alinhado com o ciclo de três anos de cada mandato. A atual quebra deste ciclo gera paralisia na gestão diária.

Em declarações ao Jornal de Notícias, Xavier Barreto explicou as consequências práticas do impasse. “Um conselho de administração que não sabe se amanhã ainda vai estar em funções não vai tomar decisões de médio ou longo prazo”, frisou.

Sem garantias de estabilidade, as equipas diretoras recuam. “Se não sabem se vão ficar, é normal que fiquem receosos em avançar com medidas estruturantes”, rematou o presidente da APAH.

Casos Críticos: São João e Médio Tejo

A lentidão das nomeações governamentais revelou-se de forma clara em abril deste ano. Nessa altura, oito das dez ULS cujas administrações cessaram funções no final de 2025 continuavam a aguardar a designação de novas equipas executivas.

Gestão no Limite: Hospitais Estão a Ser Dirigidos por Administrações com Mandatos Caducados

O Hospital de São João, no Porto, destaca-se como uma das unidades centrais retidas nesta teia de atrasos. A ULS do Médio Tejo partilha do mesmo cenário de incerteza diretiva.

Na ULS do Médio Tejo, os destinos da estrutura continuam nas mãos de Casimiro Ramos. O mandato do atual responsável terminou oficialmente em dezembro do ano passado, mantendo-se a administração a gerir a unidade de forma transitória.

Aviso Expresso da IGAS

Enquanto a instabilidade na gestão se arrasta, as entidades fiscalizadoras intensificam o escrutínio sobre as práticas das unidades de saúde. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) emitiu orientações claras para o setor.

Segundo a entidade, as tutelas devem exigir às administrações hospitalares a implementação de sistemas de auditoria interna rigorosos e eficazes, assegurando o controlo num período de transição estagnada.

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