Hospital Garcia de Orta Suspende Abortos e Desperta Alerta no Parlamento

Entrada de uma unidade hospitalar centralizada em Portugal

O Fim Temporário de uma Resposta Interna

O acesso à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) está suspenso no Hospital Garcia de Orta, em Almada. A confirmação oficial surgiu na sequência de denúncias vindas a público através de comissões de utentes.

Confrontada com as queixas, a Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS) admitiu não ser possível “garantir resposta atempada às mulheres que pretendem avançar com a interrupção voluntária da gravidez”.

Para contornar o bloqueio assistencial, a administração firmou um protocolo com uma entidade externa reconhecida pela Direção-Geral da Saúde (DGS). A ULSAS não revelou qual é o estabelecimento privado, mas assegurou tratar-se de uma solução temporária e com a expectativa de retomar a resposta interna em breve.

Pressão Política Exige Esclarecimentos

A paralisação do serviço de IVG motivou a intervenção imediata da oposição no parlamento. O Livre enviou um requerimento urgente ao presidente da Comissão Parlamentar de Saúde.

O partido quer apurar a verdadeira capacidade de resposta da ULSAS, os motivos que ditaram o fim abrupto do serviço interno e o plano para a retoma das cirurgias. O objetivo é assegurar que a reestruturação não levanta “obstáculos ou atrasos” ao acesso seguro ao aborto.

Hospital Garcia de Orta Suspende Abortos e Desperta Alerta no Parlamento

Esta movimentação segue-se ao alerta do Bloco de Esquerda. Na terça-feira, o partido pediu uma audição parlamentar de urgência com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, temendo que a IVG passe a ser “um direito no papel”.

O Peso das Urgências na Península de Setúbal

O caso expôs outras feridas organizacionais no Serviço Nacional de Saúde da Margem Sul. Desde abril que o Hospital Garcia de Orta atua como centro único da urgência de ginecologia e obstetrícia de toda a península de Setúbal.

O Livre aproveitou o requerimento para recordar as “várias dificuldades” reportadas desde a implementação deste modelo. O grupo parlamentar considera agora indispensável exigir contas ao Conselho de Administração e avaliar com detalhe a eficácia real desta urgência regional.

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