Uma Propagação Rápida e Sem Precedentes
O surto de Ébola na República Democrática do Congo atingiu um novo patamar de gravidade ao ultrapassar a barreira dos 5000 casos. Dados governamentais divulgados na quarta-feira confirmam que a doença está a avançar a uma velocidade nunca antes vista.
As equipas de resposta estão a ser ultrapassadas pelo ritmo acelerado de contágios numa das regiões mais remotas do país. Até ao passado domingo, os números do Ministério da Saúde congolês contabilizavam 5021 casos e 2378 mortes.
Este surto é já a 17.ª epidemia de Ébola a atingir o Congo, segundo a agência Reuters. Desde o primeiro caso detetado, a doença tem-se espalhado a um ritmo três vezes superior ao da epidemia da África Ocidental (2014-2016) — a mais mortífera de sempre, com mais de 11 000 óbitos registados.
O Desafio da Variante Bundibugyo
As operações no terreno decorrem sob condições extremas, marcadas por elevados níveis de insegurança e pela deslocação em massa das populações. A epidemia atual é provocada pela estirpe Bundibugyo do vírus Ébola.
O combate médico enfrenta um obstáculo colossal: atualmente, não existem vacinas nem tratamentos aprovados para combater esta variante específica. O aumento de vítimas tem ocorrido num curto espaço de tempo desde que o surto foi declarado, a 15 de maio.
A evolução dos números ilustra a escalada dramática. Apenas uma semana antes da contagem atual, os registos oficiais apontavam para 4381 casos confirmados e 2011 mortes.

Alerta da OMS e Violência Contra Médicos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a necessidade urgente de intervenção. Na terça-feira, o diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a propagação tem sido veloz e que o risco de expansão a nível nacional e internacional permanece alto.
“Temos de ser francos: a epidemia está longe de estar sob controlo”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus durante uma reunião de emergência da agência.
Além da letalidade do vírus, a violência complica os esforços de contenção. Os profissionais de saúde têm sido frequentemente atacados, em particular na província de Ituri, a região mais severamente afetada pelo surto.
Na segunda-feira, residentes do território de Aru agrediram uma equipa de saúde após surgir o alerta de um caso suspeito naquela localidade. Uma multidão furiosa incendiou uma ambulância e destruiu duas outras viaturas.
O ataque e as perdas materiais foram detalhados por Michael Wani, presidente da União de Associações Culturais para o Desenvolvimento de Ituri.
