O Impasse dos Javalis em Setúbal
Os javalis desceram da Serra da Arrábida e tomaram conta das zonas urbanas de Setúbal. Animais selvagens circulam agora livremente por jardins, canteiros das cidades e há até relatos da sua presença em praias.
Em vez de uma ação rápida, o problema esbarrou num bloqueio burocrático e no habitual atropelo de competências entre entidades estatais. A autarquia atira a responsabilidade do controlo populacional para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
O ICNF, por sua vez, rejeita a missão e argumenta que a sua jurisdição não abrange áreas urbanas. O resultado é um impasse institucional onde ninguém atua, embora esteja prevista uma reunião entre as duas entidades para tentar afastar a espécie das cidades de forma urgente.
A Cultura Nacional do “Remediar”
O episódio da vida selvagem em Setúbal reflete um traço estrutural da gestão em Portugal: a incapacidade de antecipar problemas e planear soluções. As entidades parecem programadas para correr apenas atrás do prejuízo.
Este padrão de passividade, inércia e improviso não se limita à gestão ambiental. Acontece sistematicamente com questões graves de segurança pública e rodoviária.
O Tiroteio na Baixa de Lisboa
Na Baixa de Lisboa, um recente tiroteio entre traficantes feriu uma turista que circulava na via pública. O conflito envolveu redes que se dedicam à venda de falso haxixe — frequentemente louro prensado — aos visitantes da capital portuguesa.
As autoridades sabem da existência deste esquema fraudulento há vários anos. As queixas e reportagens acumularam-se sem qualquer intervenção decisiva no terreno.
Foi preciso o disparo de armas de fogo em plena luz do dia para provocar uma reação visível. Só após a ocorrência noticiada é que as forças de segurança prometeram um reforço do policiamento na zona histórica.
A Ilusão da Segurança Rodoviária
O mesmo cenário repete-se na prevenção rodoviária. Ao contrário do que acontece no resto da Europa, Portugal continua a falhar nas tentativas de baixar os níveis de sinistralidade e mortalidade nas estradas.
A resposta do Ministério da Administração Interna perante os números alarmantes? Prometer um reforço de vigilância focado apenas no fim de semana seguinte. Uma medida temporária que se extingue assim que o assunto sai da agenda mediática.
O Eclipse e o Caçador de Sombras
Longe das polémicas burocráticas, os portugueses puderam assistir a um rápido eclipse solar parcial. O fenómeno astronómico ocultou o sol de forma desigual de norte a sul do país.
Bragança destacou-se como o melhor ponto de observação nacional, atraindo especialistas e curiosos. Em Lisboa, o evento foi muito mais subtil, com a lua a cobrir apenas 6% do sol, passando despercebido a quem não estava equipado com óculos adequados.
O evento assinalou ainda um marco impressionante para o famoso “caçador de eclipses” português, que completou a sua 90.ª observação direta deste fenómeno. Um eclipse com características e intensidade semelhantes só voltará a ser visível no país daqui a mais de 100 anos.
