O esquema de corrupção e o dinheiro no quintal
Um escândalo político na Califórnia culminou na condenação de dois ex-autarcas a 18 meses de prisão federal. O caso ganhou contornos cinematográficos quando o FBI descobriu 62.900 dólares em numerário enterrados em dois locais distintos no quintal de Ricardo Pacheco, antigo vereador de Baldwin Park.

Ricardo Pacheco, antigo vereador da cidade de Baldwin Park, a sorrir.
Com 63 anos, Pacheco foi ainda multado em 10.000 dólares e forçado a devolver perto de 220.000 dólares, valor que inclui os montantes apreendidos pelas autoridades. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos confirmou a sentença esta semana, revelando uma rede focada na venda de influência governamental.
Subornos por licenças de canábis e contratos policiais
A investigação federal centrou-se em Pacheco e num segundo político, Isaac Galvan, de 39 anos e ex-vereador da cidade de Compton. Galvan recebeu a mesma pena de prisão e foi condenado a pagar 323.557 dólares em indemnizações.

Isaac Galvan, vereador da cidade de Compton, numa cerimónia de corte de fita.
As autoridades federais provaram que a dupla usou os seus cargos públicos para aceitar dezenas de milhares de dólares em subornos. Como moeda de troca, garantiam apoio político a sindicatos policiais e a aprovação de licenças municipais para o cultivo comercial de marijuana.
O papel do agente infiltrado
Pacheco, que integrou o executivo de Baldwin Park entre 1997 e 2020 e assumiu brevemente o cargo de presidente da câmara interino em 2018, admitiu a culpa em junho de 2020. O político confessou ter recebido 37.900 dólares de um agente da polícia que colaborava secretamente com o FBI.
Isaac Galvan, antigo vereador da cidade de Compton.
Desse valor global, 20.000 dólares foram entregues de uma só vez, em numerário. Em contrapartida pelos pagamentos, Pacheco votou a favor do contrato da Associação de Polícia em março de 2018, um acordo avaliado em pelo menos 4,4 milhões de dólares por um período de três anos.

Após ser detido, o ex-autarca aceitou colaborar com a justiça. Segundo os relatórios, tornou-se informador federal e ajudou os investigadores a desmantelar uma rede que envolvia meia dúzia de figuras do governo local e da indústria da canábis.
A ligação de Galvan ao negócio da marijuana
A teia de corrupção começou a desenhar-se em 2017, altura em que Baldwin Park iniciou o processo de aprovação para o cultivo, fabrico e distribuição de marijuana dentro dos limites do município.
Uma planta de marijuana exibida em primeiro plano, com uma pessoa a fumar em pano de fundo.
Pacheco começou a exigir contrapartidas financeiras às empresas que procuravam acordos de desenvolvimento. Galvan atuava como o “consultor” ilícito, fazendo a ponte direta entre os operadores de marijuana e o vereador.
Durante o processo judicial, Galvan confessou ter pago 70.000 dólares em subornos a Pacheco para garantir os votos favoráveis à emissão das licenças comerciais. O ex-vereador de Compton admitiu ainda ter ocultado mais de 500.000 dólares em rendimentos à agência tributária norte-americana (IRS).
A audiência final para determinar o formato de restituição dos fundos desviados por Ricardo Pacheco está agendada para as próximas semanas.


