Deslizamento no Nepal faz 160 mortos: Dois portugueses entre os 900 desaparecidos

Cenário de destruição após deslizamento de terras e inundações no rio Bhotekoshi, Nepal.

O impacto devastador e os portugueses desaparecidos

Um violento deslizamento de terras e uma enxurrada no Nepal fizeram disparar o número de vítimas mortais para 160. A polícia nepalesa recuperou 157 corpos, enquanto as autoridades chinesas confirmaram a morte de três cidadãos do seu lado da fronteira.

Neste momento, há pelo menos 900 pessoas dadas como desaparecidas na região. Entre elas estão dois cidadãos portugueses.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirmou primeiro o desaparecimento de uma mulher, que se encontrava num grupo no posto fronteiriço nepalês. Mais tarde, validou o desaparecimento de um homem.

“O MNE confirma um segundo cidadão nacional, desta vez do sexo masculino, dado como desaparecido no seguimento do desastre no Nepal. Continuamos a acompanhar a situação ao minuto”, declarou o ministério numa nota enviada à Lusa.

Um falso sismo que afinal era um mega deslizamento

A enorme massa de água e lama atingiu o rio Bhotekoshi por volta das 09:15 locais (04:30 em Lisboa), com origem na zona tibetana.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classificou inicialmente a catástrofe como um sismo de magnitude 4,4, a 77 quilómetros a noroeste de Kodari e a 10 quilómetros de profundidade.

No entanto, uma análise detalhada às ondas sísmicas de longo período, apoiada por imagens de satélite, confirmou que o evento não foi provocado por um terramoto. Tratou-se de um colossal deslizamento de terras com magnitude equivalente a 5,2, com origem a 55 quilómetros a noroeste de Kodari.

Destruição sem precedentes desde 2015

A catástrofe atingiu com particular gravidade as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi. Segundo a BBC, este é o desastre mais mortífero no país desde o terramoto de 2015, que vitimou quase 9.000 pessoas.

A Autoridade Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Catástrofes (NDRRMA) do Nepal contabiliza 484 turistas incontactáveis, divididos entre 93 nepaleses e 391 estrangeiros.

Além da cidadã portuguesa e de dois espanhóis, a lista de estrangeiros desaparecidos inclui 133 indianos, 47 norte-americanos, 34 australianos, 33 britânicos, 24 canadianos e 19 malaios. Desapareceram ainda sete ucranianos, seis singapurianos, seis sul-africanos, cinco japoneses, cinco neozelandeses, quatro alemães, três franceses, dois irlandeses, dois neerlandeses e dois russos.

Deslizamento no Nepal faz 160 mortos: Dois portugueses entre os 900 desaparecidos

Foram também arrastados 44 membros do exército, 28 polícias, 13 elementos da Força Armada de Polícia e 60 trabalhadores de projetos hidroelétricos. Do lado da China, há registo de pelo menos 265 desaparecidos.

Ameaça de segunda enxurrada e infraestruturas colapsadas

A destruição é absoluta nas zonas ribeirinhas do distrito de Rasuwa, uma das principais rotas terrestres para o Tibete. A força da água destruiu pelo menos 80 pontes (35 rodoviárias e 45 suspensas) e cerca de 40 quilómetros de estradas.

As equipas de resgate enfrentam extremas dificuldades de acesso ao terreno. O Governo do Nepal já declarou as áreas afetadas como zona de catástrofe por três meses.

As autoridades nepalesas ordenaram a mobilização de helicópteros militares e privados para buscas e salvamentos, garantiram assistência médica gratuita aos feridos e avançaram com reparações de emergência na rede elétrica e de telecomunicações.

O perigo ainda não passou. Existe o risco iminente de uma segunda enxurrada devido a um bloqueio a montante do rio Lhende Khola, o que forçou a retirada urgente dos habitantes das zonas mais baixas.

Mobilização de Pequim e das Nações Unidas

O desastre estendeu-se ao território chinês, nomeadamente ao posto fronteiriço de Gyirong, na Região Autónoma do Tibete. Segundo a agência Xinhua, o presidente chinês, Xi Jinping, ordenou esforços totais para encontrar e resgatar as pessoas desaparecidas.

A nível global, as Nações Unidas entraram em ação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou a tragédia e confirmou a rápida mobilização de mantimentos e pessoal para apoiar as comunidades afetadas.

Em comunicado, o porta-voz Stéphane Dujarric adiantou que a ONU está no terreno a apoiar a resposta do governo nepalês, o que inclui a avaliação exata da dimensão do desastre e a prestação direta de assistência urgente. Guterres deixou ainda uma palavra de elogio aos socorristas que arriscam a vida nas zonas críticas.

Jardim Principes