Com o avançar da idade, o corpo humano exige novos cuidados. Ao atingir a barreira dos 60 anos, as transformações fisiológicas tornam-se incontornáveis e exigem uma atenção redobrada.
A perda de massa muscular e a diminuição da densidade óssea são os primeiros sinais do envelhecimento. A estes fatores junta-se o abrandamento contínuo do metabolismo. É um processo natural, mas que pode ser fortemente retardado com o estilo de vida adequado e a rotina certa.
O limite das caminhadas
Para combater os efeitos do tempo, muitos portugueses adotaram o hábito de caminhar, especialmente ao final do dia ou durante os meses de verão. É uma atividade simples, gratuita e que não exige qualquer tipo de equipamento.
Os benefícios para o coração e para a circulação sanguínea são indiscutíveis. Caminhar ajuda a controlar o peso, mantém a pessoa ativa e reduz drasticamente os níveis de stress. Contudo, a partir da sexta década de vida, esta prática isolada deixa de ser suficiente para cobrir todas as necessidades de um corpo em envelhecimento.
O alerta do catedrático
Felipe Isidro, catedrático de educação física, abordou a real eficácia das caminhadas numa extensa entrevista ao jornal ‘ABC’. O especialista deixou claro que é necessário mudar a perspetiva sobre aquilo a que chamamos exercício na terceira idade.
“Está muito bem caminhar dez ou doze mil passos. Há estudos que indicam que começa a haver benefícios a partir dos oito mil, mas não deve considerar-se exercício”, afirmou de forma direta Felipe Isidro.

O grande problema das caminhadas é a falta de estímulo perante a degradação natural do corpo. “Temos de fazer algo mais. Caminhar é insuficiente. Temos de trabalhar os nossos músculos e a força, porque é a primeira coisa que perdemos com a idade”, sublinhou o especialista.
A rotina semanal recomendada
Fazer apenas caminhadas será sempre melhor do que o sedentarismo total. No entanto, proteger a saúde a longo prazo exige um treino muscular focado e eficiente.
Para quem procura um regime estruturado, o catedrático sugeriu uma fórmula semanal simples, perfeitamente adaptável até para quem está agora a iniciar uma rotina de treino.
A estrutura ideal passa por dedicar três dias ao treino de força e dois dias ao exercício cardiovascular. Para otimizar os resultados, Isidro aconselha ainda que uma parte do trabalho de cardio seja transformada em treino intervalado de alta intensidade.
