Uma colossal avalancha de gelo e rocha desencadeou inundações relâmpago no Nepal, deixando um rasto de destruição sem precedentes. Pelo menos 17 pessoas perderam a vida e cerca de 400 continuam desaparecidas.
Entre os desaparecidos estão 291 turistas internacionais. O grupo integra cidadãos oriundos da Índia, dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Malásia.

Casas danificadas e em posição precária junto às margens inundadas do rio Trishuli, após as cheias no Nepal.
O Alerta e a Força da Natureza
O rio Bhotekoshi transbordou de forma repentina pelas 09h00 locais (04h15 em Lisboa). A fúria das águas varreu estradas, arrasou aldeias inteiras e destruiu diversos projetos hidroelétricos da região.

Casas e veículos destruídos após a passagem das inundações relâmpago ao longo do rio Trishuli.
As autoridades nepalesas emitiram de imediato avisos à população. Os residentes de vários distritos foram aconselhados a manterem-se afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani.
Imagens partilhadas pela polícia revelaram uma enorme vaga a percorrer um vale no distrito de Rasuwa, arrastando edifícios no seu caminho e cortando vias de acesso fundamentais.
Mobilização de Emergência
Perante a dimensão da tragédia, o Governo do Nepal apelou à ajuda internacional. O porta-voz governamental, Sasmit Pokharel, confirmou a solicitação de apoio à Índia e à China para reforçar as operações de busca e salvamento.
Um residente aguarda na varanda da sua casa, completamente cercado por águas e destroços causados pelas cheias.
O primeiro-ministro, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres. No terreno, o exército nepalês mobilizou vários helicópteros, conseguindo resgatar 21 pessoas com vida até ao momento.
Impacto Além-Fronteiras
As inundações cortaram uma das principais ligações terrestres entre o Nepal e a China. Esta rota é frequentemente utilizada por turistas e peregrinos em direção ao Tibete.
Populares registam imagens e vídeos das águas turbulentas nas margens do rio Trishuli.
Do lado chinês, a região do Tibete também sofreu as consequências extremas do fenómeno climático. Uma corrente de lama atingiu o posto fronteiriço de Gyirong, provocando várias vítimas e desaparecidos, segundo a agência Xinhua.
O Presidente chinês, Xi Jinping, ordenou a mobilização máxima de meios para procurar os desaparecidos, realojar habitantes e prestar assistência médica rápida aos feridos nas zonas afetadas.
Alerta Científico: O Colapso dos Glaciares
Especialistas em clima e geologia apontam o aquecimento global como o grande motor desta catástrofe. Cientistas do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD) confirmaram que a tragédia resultou de uma avalancha de gelo proveniente de um glaciar que bloqueou o rio Lhende Khola.
Uma casa fortemente danificada à beira do colapso após as violentas cheias no rio Trishuli.
“O Lhende Khola foi atingido por inundações duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalancha de gelo e rocha”, explicou o investigador Saswata Sanyal. O colega Qianggong Zhang alertou ainda que a obstrução no rio persiste, elevando o risco de uma segunda inundação a qualquer momento.
O distrito de Rasuwa já tinha um historial recente de tragédias semelhantes. Em agosto de 2025, o transbordo de um lago glaciar no Tibete, provocado por temperaturas extremas, matou nove pessoas na mesma região.
Atualmente, a região dos Himalaias aquece a um ritmo mais acelerado do que o resto do planeta. Estudos do ICIMOD revelam que os glaciares locais estão a derreter de forma avassaladora, com a taxa de perda de gelo a duplicar desde o ano 2000.



