O Caos Aéreo no Pico do Turismo
A nuvem negra de cinzas vulcânicas não cede. O aeroporto de Catânia, na Sicília, vai permanecer de portas fechadas pelo menos até às 02h00 da madrugada de 14 de agosto, sexta-feira.
A decisão foi confirmada pela empresa gestora SAC, assinalando o sétimo dia consecutivo de paralisação devido à violenta erupção do Monte Etna. Em plena época alta turística, o impacto operacional é avassalador: cerca de 700 voos já foram cancelados desde o início da atividade eruptiva.
Dezenas de rotas tiveram de ser reprogramadas ou desviadas de emergência. Aeroportos regionais como Palermo, Trapani e Comiso tornaram-se a tábua de salvação para milhares de passageiros, com a infraestrutura de Comiso a reabrir apenas na última quarta-feira, após um fecho temporário.
Alerta Vermelho e Impacto Internacional
O Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) de Itália mantém o nível de alerta no “vermelho”. A lava continua a rasgar a paisagem da montanha, fluindo intensamente pelos conhecidos Vale do Leão e Vale do Bove.
O fenómeno já ultrapassou as fronteiras italianas. Impulsionada pelos ventos, a densa coluna de fumo e cinzas desloca-se para sul e sudoeste, alcançando o norte de África, na Líbia, e a ilha de Malta. O aeroporto internacional maltês regista, de resto, perturbações significativas na sua operação comercial devido às partículas suspensas no ar.
Com 3.324 metros de altitude, o vulcão ativo mais alto da Europa está sob vigilância apertada. O INGV continua a monitorizar a atividade em tempo real, divulgando as imagens no seu portal para documentar um ciclo de erupções que molda a paisagem siciliana há mais de 500 mil anos.

O Aeroporto no Sítio Errado?
Em 2024, cerca de 12 milhões de passageiros passaram pelas portas do aeroporto internacional da Catânia, o grande motor económico e turístico da zona leste da Sicília. Contudo, a atual crise reacendeu um duro debate político sobre o ordenamento do território.
Nello Musumeci, ministro da Proteção Civil de Itália e antigo presidente da região da Sicília, foi contundente nas críticas. Para o governante, a vulnerabilidade do aeródromo devido à proximidade com o gigante de fogo revela um erro crónico de planeamento estratégico.
“O que se passa com os cancelamentos, atrasos e graves transtornos para milhares de cidadãos e turistas volta a colocar em evidência um problema que a Sicília conhece há muito tempo”, sublinhou Musumeci. “O que está no sítio errado não é o vulcão, mas sim o aeroporto”.
O ministro lamentou ainda o facto de as autoridades terem ignorado uma proposta oficial sua, apresentada em 1999, que visava precisamente transferir o aeroporto para uma zona geográfica segura e livre do raio de ação das cinzas do Etna.
