Os consumidores estão a investir cada vez mais em joias “semi-finas”, mas a falta de manutenção adequada compromete rapidamente estas peças.
A negligência diária, como abandonar colares nas prateleiras da casa de banho ou usar anéis durante o treino no ginásio, resulta em metais baços, pedras lascadas e na perda do banho de ouro.
Com o aumento da popularidade da prata com banho de ouro (vermeil) e de peças com estilo de herança, é essencial adotar rotinas de cuidado independentes e eficazes.
O mito dos kits de limpeza especiais
O primeiro mito a ser quebrado é a necessidade de adquirir kits de limpeza caros e complexos.
Blue Wilson, fundadora da marca de joalharia Kouree e antiga diretora-geral da Nadine Merabi, garante que o método mais seguro é sempre o mais simples.
Para cuidar de peças em prata de lei e vermeil, a especialista recomenda um polimento suave feito apenas com um pano seco e macio.
“Evite produtos de limpeza abrasivos ou soluções de imersão, pois podem desgastar o acabamento”, alerta Wilson.
As pedras preciosas exigem um nível de cuidado ainda maior. Pedras delicadas, como opalas ou pérolas, nunca devem ser submersas em líquidos, bastando o uso de um pano macio para a sua limpeza.
Para materiais mais duros e resistentes, a abordagem muda ligeiramente. Basta utilizar água morna, uma gota de detergente de loiça suave e uma escova de dentes de cerdas macias.
A durabilidade dita as regras
A longevidade de uma peça está diretamente correlacionada com o metal subjacente utilizado no seu fabrico.
O ouro maciço e a platina são os materiais mais resistentes a manchas, tendo sido concebidos para durar várias vidas.
Jeremy Kanzen, diretor-geral e cofundador da The Diamond Store, explica que a platina é amplamente considerada o metal precioso mais durável do mercado.
“A platina é incrivelmente resistente ao desgaste, não mancha e mantém o seu brilho branco sem necessidade de qualquer banho”, afirma Kanzen.

Em contraste, o ouro branco exige um banho de ródio ocasional para manter a sua luminosidade original, apresentando-se como uma opção mais acessível e intemporal.
A prata é um metal mais macio que mancha facilmente em ambientes húmidos. No entanto, o seu brilho pode ser facilmente restaurado com um polimento adequado.
O vermeil funciona como o meio-termo ideal. “É muito mais resistente do que um banho de ouro rápido, mas continua a ser uma joia semi-fina que exige cuidado. Quanto mais espesso for o banho, maior será a sua duração”, clarifica Wilson.
A ciência de guardar joias
O método de armazenamento deve ser ditado pela frequência de utilização de cada peça.
As joias usadas diariamente estão muito mais expostas a cremes, perfumes, suor, luz solar e oxigénio.
Wilson aconselha a remoção imediata de todos os artigos de uso diário antes de tomar banho, fazer exercício físico ou aplicar cosméticos.
As peças de uso ocasional devem repousar nas respetivas bolsas ou caixas. A especialista compara a situação ao vestuário: algumas peças são robustas para o dia a dia, enquanto outras são sedas delicadas que exigem um tratamento rigoroso.
O maior erro de armazenamento é deixar as peças em zonas vulneráveis. “Evite guardar joias em casas de banho ou áreas húmidas, pois isso acelera rapidamente o aparecimento de manchas”, avisa Kanzen.
Pérolas e opalas são altamente sensíveis à luz e à humidade, exigindo um espaço fresco, seco e longe da luz solar direta.
Apertar os fechos de colares e pulseiras antes de os guardar é um pequeno passo que evita nós e preserva a beleza estrutural da joalharia.
Por fim, Kanzen recomenda um check-up anual no joalheiro para os artigos de uso frequente, garantindo que os engastes das pedras se mantêm 100% seguros.
