Rodar a chave ou carregar no botão de ignição é um gesto automático. A maioria dos condutores fá-lo todas as manhãs sem pensar duas vezes.
No entanto, a forma como liga o seu carro pode estar a desgastar silenciosamente o motor, a bateria e o sistema de combustível. Um arranque incorreto repetido diariamente traduz-se em falhas mecânicas precoces.
Evite reparações dispendiosas na oficina corrigindo estes sete erros comuns ao ligar o carro, classificados do menos ao mais prejudicial.
1. Ignorar o ciclo das luzes do painel
Quando roda a chave para a primeira posição, o painel de instrumentos acende-se na totalidade. Arrancar imediatamente o motor sem esperar que a maioria das luzes se apague é um erro crónico.
Este compasso de espera de dois ou três segundos é vital. Permite que a bomba de combustível pressurize o sistema e que os sensores eletrónicos façam a leitura preliminar dos dados do veículo antes de o motor de arranque entrar em ação.
2. Ligar acessórios antes do motor
Deixar o ar condicionado, o rádio, os faróis e o desembaciador ligados antes de dar à chave coloca uma pressão extrema na bateria. A bateria tem de fornecer energia a todos estes componentes secundários no exato momento em que precisa da sua força máxima para fazer o motor rodar.
Ganhe o hábito de desligar todos os sistemas elétricos antes de estacionar o carro. Desta forma, o próximo arranque será muito mais suave e prolongará a vida útil da bateria.
3. Acelerar após um arranque a frio
Nos dias de inverno, o óleo do motor assenta no fundo do cárter durante a noite. Se pressionar o acelerador logo após ligar o carro, as peças metálicas internas vão roçar umas nas outras sem a lubrificação adequada.
Isto causa microfissuras e um desgaste severo nos cilindros. Aguarde entre 30 segundos a um minuto para que a bomba de óleo faça o lubrificante circular e, em seguida, inicie a marcha conduzindo suavemente nos primeiros quilómetros.
4. A pressa nos sistemas de ignição por botão
Nos veículos modernos com sistema “Push-to-Start”, muitos condutores entram, pisam o travão e carregam no botão numa fração de segundo. Esta pressa pode confundir o módulo eletrónico de ignição, forçando o motor de arranque a rodar num momento em que os sistemas ainda estão a “acordar”.
O processo ideal exige método. Pressione o botão uma vez sem pisar o travão para ativar a parte elétrica, aguarde dois segundos para o sistema estabilizar e, só depois, pise o travão para ligar o motor.
5. Conduzir com o depósito na reserva
Ligar o carro repetidamente com o nível de combustível no mínimo é um hábito destrutivo para a mecânica do veículo. A bomba de combustível fica submersa no depósito e depende do próprio gasóleo ou gasolina para arrefecer e manter-se lubrificada.
Ao arrancar na reserva, a bomba sobreaquece rapidamente. Além disso, o sistema acaba por aspirar os detritos e sedimentos acumulados no fundo do depósito, obstruindo os filtros e os injetores.
6. Fazer exclusivamente trajetos curtos
Ir de carro para o café ou para o supermercado a poucos quarteirões de distância parece inofensivo, mas é devastador para qualquer veículo a combustão. As viagens curtas impedem que o motor atinja a sua temperatura ideal de funcionamento.
Como resultado, a condensação natural que se forma dentro do motor não tem tempo para evaporar, acabando por contaminar o óleo com água. Em simultâneo, o alternador não tem tempo suficiente para recarregar a energia que a bateria gastou no momento do arranque.
7. O erro invisível: Não ligar o carro de todo
O erro mais prejudicial afeta ironicamente as pessoas que menos conduzem. Deixar um carro completamente parado durante semanas ou meses destrói os seus componentes de forma silenciosa.
A imobilidade prolongada causa a degradação rápida dos fluidos, o descarregamento irreversível da bateria, a secagem dos vedantes de borracha e a deformação dos pneus. Os carros foram concebidos para estar em movimento, e tratá-los como peças de museu é o caminho mais rápido e garantido para reparações de milhares de euros.
